domingo, novembro 19, 2017

Para este domingo

Cooperação?... EM QUÊ?

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

Sobre a denominada 

Cooperação Estruturada Permanente

1 - O Governo do PS prepara-se para decidir da associação de Portugal à denominada «Cooperação Estruturada Permanente» (CEP), decisão para a qual conta com o apoio do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, e que se insere no processo de aprofundamento da militarização da União Europeia e da sua afirmação como pilar europeu da NATO, tendente à criação de um «exército comum» da União Europeia, num quadro de complementaridade com esse bloco político-militar.
2 - O PCP manifesta a sua mais viva discordância com tal intenção e com o caminho de aprofundamento da militarização da União Europeia e de ainda maior concentração de poder supranacional em matérias que estão no cerne da soberania e independência nacionais.
3 - O PCP critica igualmente o posicionamento hipócrita do PSD e do CDS que, tendo apoiado e ratificado o Tratado da União Europeia e defendendo a CEP, pretendem, simultaneamente, como o tenta fazer o PS, separar a associação de Portugal à CEP do objectivo há muito explicitado pelos principais responsáveis do processo de integração capitalista, da criação de «exército europeu» e da centralização dos processos de decisão e comando, e que tem a impulsioná-lo algumas das principais potências da UE, nomeadamente a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha.
4 - Tal passo, não isento de contradições que, por certo, se manifestarão no seu desenvolvimento, tenderão a acentuar, a perversão da missão das Forças Armadas portuguesas, e funções constitucionalmente definidas, comprometendo a prazo capacidades nacionais, diminuindo desta forma a capacidade de decisão soberana e a independência nacional.

quinta-feira, novembro 16, 2017

Nações unidas nas Nações Unidas contra o bloqueio a Cuba...


... menos  duas (Estados Unidos e Israel!!!!). E o bloqueio continua.
Tornou-se quase uma cerimónia ritual. A Assembleia Geral da Nações Unidas vota, todos os anos, uma resolução que condena o bloqueio a Cuba, por esmagadora maioria com votos contra dos Estados Unidos e mais 2 ou três países, que este ano se reduziram a Israel.
E é como se não tivesse importância. Como se não fosse nada!



Par(a)lamento "Europeu"


quarta-feira, novembro 15, 2017

terça-feira, novembro 14, 2017

Políticas de urbanização e discriminação


 de:
As políticas urbanas enfrentam
as desigualdades 
entre homens e mulheres


As políticas de urbanização beneficiam maioritariamente os homens. Associativos e universitários militam por uma melhor consideração das mulheres no espaço público.

As políticas de urbanização sustentam as desigualdades entre mulheres e homens. Uma lógica que é possível mudar. Laura Perez Castano, conselheira municipal em Barcelona e presidente de  bate-se por uma abordagem género nas políticas da cidade. Ela intervirá na conferência internacional e inter-disciplinar dedicada à coprodução de políticas de seguran-ça urbana organizada pelo Forum Europeu pela segurança urbana (Efus), que se realizará de 15 a 17 de Novembro.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Reflexões lentas... e (que se pretendem) muito sérias

De há uns tempos para cá parece que muita gente perdeu a noção do equilíbrio. No que faz, no que diz, como se reage ao que é feito ou dito.
Parece que se quer imitar (ou provocar) a natureza com os seus incêndios ("naturais"?), as suas secas (nunca mais chove que se veja...), as cheias (que se esperam a  seguir). E muito sossegada anda ela cá por estes lados, que por outras paragens as coisas têm estado mais descontroladas, com ventos em furacões e sismos em escalas que Richter ou Mercalli medem em números felizmente raros!
Então no que respeita à política, anda o mundo desaustinado, com a agitação apalhaçada de Trump, os ensaios funambulescos de Kim, o pouco referido mas muito relevante congresso do PC da China, a des-União Europeia a procurar desatar pares de botas como Brexit e Catalunha, o "sentimento russo" de Putin, as "chilesices" para com a Venezuela a alternarem com a aparente acalmia na Síria, a África em confusão por vários sítios, sempre nas malhas de uma herança colonial que veio impedir naturais evoluções e acirrar rivalidades étnicas, e mais tantos lugares de que a comunicação social "oficial" não trata (ou o faz com intermitências nada neutras) mas que não estarão em aquietado sossego.
E nós por cá? Todos bem? Qual quê! Frequentes desatinos num jogo desembestado de assacar irresponsavelmente responsabilidades aos "outros" quando tão necessário seria responsavelmente apurar responsabilidades, e agir conforme e consoante estas. Mas não. Muito fogo fátuo, declarações a redundar (que algum dizia, ignorantemente, "a arredondar"...) em pouca coisa, por vezes a propósito de nada, ou de quase nada, ou a despropósito. Ou enorme espalhafato para levantar ondas de poeira que escondam o que "outros" querem revelar com semelhante barulho para serem ouvidos.

Duas questões me trazem à reflexão:
1. A força de trabalho não qualificada, de baixa remuneração e os números do desemprego.
Depois de terem sido de susto, os recentes números do desemprego deveriam animar-nos. Mas a baixa dessa temperatura no "termómetro da economia" não tranquiliza quanto ao estado de saúde porque o emprego é feito em postos de trabalho de baixa qualificação, em situações de precariedade (turismo, sazonais), sem direitos, na raia do salário mínimo. E, sendo assim, há quem se queixe de não encontrar trabalhadores disponíveis para empregos criados... por culpa da concorrência da protecção social, dos subsídios de desemprego, do que permite aos/às trabalhadores/as rendimento monetário próximo do nível salarial oferecido e menor precariedade... e "tempo livre" para a vidinha. Que contra-senso!

2. Ainda os resultados das autárquicas. O Barreiro.
Reportando a umas anteriores reflexões, em que se referia o sentimento de perda e preocupação relativamente a resultados eleitorais e se citava expressamente Almada, Beja, Peniche (talvez para "libertação" do peso específico dos resultados de Ourém...), deve juntar-se o significado da perda da câmara do Barreiro.
Desde tempos de estudante e de economista em começo de profissão, o Barreiro é simbólico. A CUF e a Siderurgia (com os estaleiros navais) simbolizavam a indústria "pesada", o cerne do operariado, de uma classe. Tanto assim que nunca se esquecem as referências aos receios, dúvidas e hesitações de Salazar, nos anos 50, quanto à localização da siderurgia (e do seu operariado) em Coina, por ser tão perto da CUF (e do seu operariado). 
Mas a vida é feita de mudança(s). Também nas classes. A burguesia não é igual ao que era no século xix, o proletariado não tem o mesmo perfil que tinha nessa altura (e nos meados do século xx). Mas continuam a existir como classes. E movem-se. E lutam entre si, mesmo quando os protagonistas dessa luta não o sabem ou o querem (ou fazem por) esquecer.
O município do Barreiro que teve o resultado das eleições de 1 de Outubro não é o mesmo Barreiro de há décadas, é aquele em que a CDU perdeu a maioria absoluta, tem 4 vereadores, o mesmo número que o mais votado PS, sobrando 1 para o PSD. Também no Barreiro, a luta continua! Igual, mas diferente.  

7 de Novembro - final da exposição na USO

Ao longo de uma semana, editaram-se aqui - entre outros - "posts" relativos ao Centenário da Revolução de Outubro, ilustrados com reproduções de caixas de fósforos comemorativas do 60º aniversário (1977).
Voltar-se-á ao tema, em razão da participação no assinalar da data na Universidade Popular do Porto mas, por agora, encerra-se a série, com o fecho da "conferência", o agradecimento a JM Poças das Neves pelo comentário para que o convidáramos, e que foi excelente, para as presenças que animaram a Universidade Sénior na oportunidade da abordagem.

Reproduzem-se os tópicos finais e, antes, repetem-se três das caixinhas de fósforos que ilustraram a série, relevando as palavras chave que nos remetem a 7 de Novembro de 1917:

PAZ, PÃO, TERRA   






"(...)
11.2. Duas perguntas
11.2.1. O que querem os seres humanos?

Vou terminar. Com duas perguntas. Que ficam como mais dois novos tópicos para reflexão. Se não de mais ninguém, minha.
·      Primeira: o que querem as mulheres e os homens?
Diria que, com base em relações sociais que não sejam de exploração, querem ausência de discriminação, a começar pela que existe entre homem e mulher. Citando Marx, numa carta a Kugelman que, há 140 anos, escrevia com talvez inesperado humor: O progresso social mede-se pela posição social do belo sexo (incluindo as feias…)”.

Diria ainda que os homens e as mulheres querem tempo livre, seu!, libertos das tarefas sociais adequadas e exigência para que as necessidades da comunidade  nacional e internacional sejam satisfeitas. Por isso, as questões do tempo de trabalho social, dividido em emprego da força de trabalho (manual e intelectual) e em tempo livre, quer no capitalismo (em que o tempo que poderia ser livre é desemprego, com precária ou inexistente protecção social… conquista que tanto se deve ao século xx ter sido o século soviético), quer em socialismo/comunismo (quando e se) são fulcrais.

11.2.2. Que nome terá o séc. xxi?

·      Segunda (e última!,) pergunta: se o século passado, o século xx, queira ou não quem assim não entenda, foi chamado o século soviético, que nome terá o século xxi?
Pergunta sem resposta pois ela vai depender, infinitesimamente, de cada um de nós."


seguiu comentário 
e debate

domingo, novembro 12, 2017

7 de Novembro - "conferência" na USO

8ª "dose"
de caixas de fósforos comemorativas -1977


Quase no fim da exposição, a 08.11. na Universidade Sénior
de Ourém, li:

"(...)
11.1. O séc.xx, o século soviético

Estes tópicos – e só isso o são – não pretendem aumentar mas também não querem (nem poderiam) diminuir a justeza de chamar, ao século xx, século soviético.
Nos 70 anos da União Soviética, com 10 anos de guerra, com mais de meio século de cerco, de agressões, de guerra-fria, o mundo avançou para um futuro mais humano.
Por um caminho duríssimo, minado, com o sacrifício heróico de um povo que da fome se alcandorou à conquista do espaço. E à esperança de um mundo sem exploradores nem explorados.
O que foi conquistado pelo povo soviético extravasou, não fotocopiado tal-e-qual se pode ler nos clássicos e suas traduções, extravasou para o resto do mundo e foi exemplo e estímulo para outras batalhas, muitas delas ganhas, algumas de forma irreversível. Mesmo se e quando estão em perigo e parecem não o serem.

Porque é irreversível o facto de que, depois de 1917, e com a revolução soviética, o mundo se terá transformado e não voltará a situações que, sem ter havido o 7 de Novembro, não se considerariam desumanas, por mais desumanas que fossem.
(...)"

e que não podem voltar!

para este domingo - ainda - E SEMPRE - a tempo

de vez em quando
e com menos tempo entre as vezes

sábado, novembro 11, 2017

7 de Novembro - textos e pretextos

7ª "dose"
de caixinhas de fósforos comemorativas





É difícil viver com tanto ódio vesgo. Diria que é impossível conviver com os fautores desse ódio, com a total falta de escrúpulos intelectuais de quem teria, até, responsabilidades éticas pelos apelidos que carregam, lhes franqueia portas e emprestaria réstias de credibilidade.
A denúncia de José Manuel Jara deve ser divulgada para se contrapor à sem-vergonha do texto do sr. Sousa Tavares.

O Centenário da Revolução Socialista 
e as marteladas da cabecinha de Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares é o flibusteiro de serviço ao Expresso, monopolizando quase uma página inteira do semanário, excepto o fundo onde sobressai muito bem um anúncio do Rolex. Vem este comentário a propósito dos seus “Cem anos de mistificação”, retrato de um século, á la minuta, em que faz tiro ao alvo com a sua metralhadora imaginária contra a revolução russa. Este mestre da batalha literal arruma em duas penadas grandes intelectuais europeus do século XX, os Sartre, Aragon, Moravia e Picasso, condenados por cumplicidade com a revolução e o seu ideário socialista e comunista. Por acaso, esqueceu-se dos nossos, Fernando Lopes Graça, Bento de Jesus Caraça, Óscar Lopes, e tantos outros. O clarividente causídico derruba todas essas cabeças postumamente, sem piedade nenhuma.
Num aceso de raiva contra o centenário da Revolução que pretende  condenar irrevogavelmente às penas do inferno, escreve à vontade com o denodo que lhe faculta a sua rápida alfabetização em História. A descontracção típica do elitista autoconvencido tinha-o levado num crónica anterior a atribuir a Engels uma famosa frase de Proudhon, que no seu breviário de ideias feitas seria o resumo do marxismo: “La proprieté c’est le vol”. A ignorância atrevida não é castigada pois o monólogo de sua senhoria não tem resposta nas páginas do folhetim. Agora, julga fulminar a Revolução de Outubro na sua crónica de 4 Novembro. O fascismo, o nazismo, as duas guerras mundiais, o genocídio de povos, coisas menores, en passant, entrecho do verdadeiro enredo dos seus ódios contra a URSS.
A  maior epopeia militar da história da humanidade, na qual a barbárie da Nova Ordem Europeia nazi-fascista foi derrotada pelo povo soviético e pelo exército vermelho é miniaturizada por MST assim: “aquilo que os comunistas chamaram a ‘Grande Guerra Patriótica’". E com o seu proverbial direito de mentir reduz a seis milhões os 24 milhões de vítimas soviéticas da agressão nazi.  Faria bem, para a sua reeducação em ler a correspondência entre Churchill e Estaline. Para este grande senhor,  os crimes nazis contra a Humanidade são tretas. Que interessa o Tribunal de Nuremberga? Deve ser o que elabora o subconsciente de Tavares, para absolver o fascismo, irmão do nazismo, que a sua Mãe tão bem retratou no poema a Catarina Eufémia.
Na sua peleja ideológica contra o comunismo passado e presente, além de absolver o fascismo por amnésia histórica, amplia ao máximo as violências e perseguições ocorridas na guerra civil russa e noutros processos de repressão entre as duas guerras mundiais como se tal fosse a essência do marxismo e a da ideologia comunista. Para o excelente pensador MST, tão melindrado com a violência do lado bolchevique, o que diria do cristianismo se apenas referisse as guerras religiosas e a inquisição para o definir?  MST gostaria com certeza que o “imbecil “(sic) Nicolau II, ou o czar sucessor indigitado, Miguel, vencesse um bolchevismo inerme e castrado. Lenine no cadafalso pelos russos brancos, isso é que era… Depois, Tavares não vê o grande salto no desenvolvimento que a Revolução russa permitiu num país atrasado. Ignora as portas que a revolução abriu para a emancipação dos povos submetidos ao colonialismo e ao imperialismo. Está esquecido certamente de que a URSS foi o único país que apoiou o governo legítimo da República Espanhola, enquanto os “aliados democratas” lavavam as mãos como Pilatos. Não, como fazia a Emissora Nacional no tempo do “ Estado Novo” da ditadura fascista, “Rádio Moscovo não fala verdade”. Quem fala verdade é o Miguel Sousa Tavares.
Subjaz no discurso deste historiador improvisado a apologia mais descarada do capitalismo, o partido pelas classes “superiores”, de uma sociedade hierárquica com base na propriedade privada, na alta finança familiar, não tanto nos títulos decadentes da nobreza revezada na Revolução francesa, em que também rolaram muitas cabeças, incluindo as coroadas. Será que este plumitivo justiceiro também condena a revolução francesa pela violência que usou e que a derrotou depois? O retrato do comunismo em cores negras serve bem a propaganda do capital. Lá vêm os “kmeres vermelhos” para arrasar, esquecendo-se Sousa Tavares que quem destroçou essa ditadura de terror no Camboja foi o exército comunista da República Democrática do Vietname, vencedor do imperialismo francês e americano na luta de libertação nacional.  O perigo ainda tem de ser afastado, cem anos não chegaram. A queda da URSS não é o fim da História, nem o fim do comunismo, nem do socialismo. Toca a martelar e a ceifar as ideias do inimigo, do perigo que por aí anda, das esquerdas da esquerda.
A mais ridícula desfaçatez do emplumado Miguel Sousa Tavares atinge o paroxismo quando chama “cobarde” a Lenine. O pigmeu, perito em parlapatice, não tem alcance para avaliar o grande líder teórico e prático da Revolução Socialista vitoriosa. Que lhe resta? Injuriar! Hoje ainda, passados 100 anos sobre o 7 de Novembro de 1917, este burguês elitista e presumido representa o seu papel de classe, cuspindo na História e em quem a faz.
No fim, para fazer o papel de moderador, MST quer fazer as pazes com a Rússia. E passa a mão pelas costas de Putin, que o Ocidente nada clarividente toma erradamente por inimigo. Assim julga MST, mestre em ciências políticas. Todo satisfeito com o seu protegido, ignora que na Rússia, na Praça Vermelha, continua a poder visitar o Mausoléu do seu inimigo Lenine. E, certamente, desconhece ´também, como mentor da reabilitação de Putin, que ele mesmo considera que Volgogrado deveria voltar a ter o nome de Estalinegrado, cidade com o nome do seu arqui-inimigo.

José Manuel Jara
(Pode difundir-se livremente)