terça-feira, maio 30, 2017

Hoje, homenagem a Mário Castrim, às 21 horas, no Jardim de Inverno do Teatro.S.Luís



Há bem mais de 50 anos, no Clube do Pessoal do Instituto Luso-Fármaco
Castrim, nome mítico do jornalismo português




15 DE OCTOBER DE 2013


Há onze anos, a 15 de Outubro de 2002, Mário Castrim – jornalista, crítico de televisão, professor e poeta – partiu para a viagem sem regresso. Era, e permanece, um nome mítico do jornalismo português. A sua imagem e a sua memória continuam vivas – para os muitos que o amaram e para os muitos que o odiaram, pois a sua ironia e a sua pontaria certeira, na forma de um português sem mácula, não deixaram ninguém indiferente. (RC)
Dele falo com paixão e gratidão: conheci-o na redacção do Diário de Lisboa em 1971 e muito o admirei e muito com ele aprendi enquanto jornalista e cidadão. Uma redacção que recordo com saudade: foram anos a fio a conviver, a aprender e a crescer com homens e mulheres como Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Maria Judite de Carvalho, Luís Sttau Monteiro, Raul Rego, Ernesto Sampaio, Pedro Alvim, Alberto Villaverde Cabral, Alice Nicolau, Manuel de Azevedo, Vítor Direito, Mário Zambujal ou Fernando Assis Pacheco, para só falar de alguns nomes mas sem esquecer José Cardoso Pires, que durante um ano foi subdirector daquele inesquecível vespertino lisboeta.
Neste 11º aniversário do seu adeus silencioso, recordo Mário Castrim pensando na também jornalista e escritora Alice Vieira, sua paixão e mãe dos seus dois filhos, e republicando o seu último poema, escrito na cama do hospital uma semana antes de partir:
Lágrimas, não. Lágrimas, não. A sério –
Enfim, não digo que. É natural.
Mas pronto. Adeus, prazer em conhecer-vos –
Filhos, sejamos práticos, sadios.

Nada de flores. Rigorosamente.
Nem as velas, está bem? Se as acenderem
Sou homem para me levantar e vir
soprá-las, e cantar os «parabéns».

Não falem baixo: é tarde para segredos.
Conversem, mas de modo que eu também
oiça, e melhor a grande noite passe.

Peço pouco na hora desprendida:
Fique eu em vós apenas como se
Tudo não fosse mais que um sonho bom.

(publicado no Jornal “Avante!”, onde o Mário militantemente colaborou ao longo de muitos anos)
Ribeiro Cardoso
(no Clube de Jornalistas)

domingo, maio 28, 2017

(ainda) para o mês de maio - 8 conversas/histórias com barbas - 5


Leituras e comentários

Nesta pausa de domingo (ou neste domingo de pausa), retomei algumas rotinas, entre elas a de certas leituras, que logo me convocam para comentários:

1 – Porque “isto anda tudo ligado”, gosto de ler Ana Cristina Leonardo, embora por vezes ela me afugente por excesso de erudição. Ora, este sábado, ACL deu o título Elogio da erudição à sua crónica, o que me assustou. Mas, resistente (ou teimoso) que sou, li até ao fim. E valeu bem a pena porque termina assim:

Apenas comentaria que embora não me pareça que estejamos em período de ressaca (e não me refiro a problema dos intelectuais), mas que há um apagamento dos intelectuais que assusta pelo que pode pressagiar.

2 – Um livro muito referido é o de Carlos Tavares e Carlos Alves A banca e a economia portuguesa. Foi-me aguçado o interesse em o ler, não obstante não esperar novidades relativamente a questões de fundo (e fundamento) que não tenha já lido e debatido em páginas, reuniões, conferências, congressos, mas a que se dedica todo o silêncio e desinformação possível.
De qualquer modo, os autores estão bem documentados, até pelas funções responsáveis que ocuparam. O que é curioso é que nos panegíricos que são feitos ao livro e autores não tenha visto sublinhado – nalguns casos sequer referido – essas circunstâncias curriculares. O que, aliás, não se estranha quando vêm de comentadores que escrevem e falam como se nunca tivessem sido muito responsáveis na coisa pública e até ministros da área, como é o caso do perorador Daniel Bessa.

3 – Do senhor Schäuble não falo, nem de quem dele fala ou escreve. Não valerá a pena gastar mais cera… ou talvez valha, mas cansa tanta prepotência de sua insolência.
Para sair de casos de banca e banqueiros, deixo um apontamento apontar às mentes sobre a magna questão do interesse público, isto é, de todos, e a excelência da gestão privada (sobretudo se em língua estrangeira) que deve – dizem! – servir de exemplo para o que ainda seja público.




Noções de economia e sindicalismo - UPP



Como em anterior "post" (de 15 de Maio) dei notícia, vou colaborar com a Universidade Popular do Porto num curso de Noções de economia e sindicalismo
Como então deixei dito, apresentei o anúncio do curso (com um texto onde, entretanto, introduzi umas ligeiras alterações) e deixei dito que apresentaria o programa (ou guião) que intentava seguir, embora privilegie o debate e participação. Ele aqui fica:

(01.06)
10-11.15
1.     A “Economia Política” e a sua crítica
1.1.                     Jogo prévio à volta das palavras
1.2.                     Introdução ao materialismo histórico (MH)
1.2.1.  O desenvolvimento das forças produtivas
1.2.2.  Relações de produção, modo de produção capitalista (MPC)
1.2.3.  Formação social
  (01.06)
11.30-12.45
 2.     A “economia” como área do conhecimento no MPC
2.1.                     Breve história da teoria
2.1.1. Os clássicos – Adam Smith, David Ricardo
2.1.2. Marx
2.1.3. Keynes
2.1.4. Os outros e as técnicas
2.1.5. Do comércio e da contabilidade, do direito à ciência económica
2.1.6. Os métodos quantitativos e o “negócio dos números”
2.1.7.  A gestão
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(08-06)

10-11.15
3.  Alguns “princípios económicos” perenes
3.1. A racionalidade económica
3.1.1. Dados recursos à Maior produto
3.1.2. Dado produto à Menos recursos
3.2. O valor – uma longa procura
3.2.1. valor de uso/valor de troca – unidade dialéctica
3.2.2. mercadoria – mercado – procura/oferta
3.3. Energia
3.3.1. O escravo, o animal de tracção, a terra, os meios
3.3.2. O fogo, a lenha, o carvão, o vapor, o petróleo
3.4. O meio-moeda
3.5. O trabalho
3.5.1. No MPC à a mais-valia
3.5.2. As classes e a luta de classes
(08.06)
11.30-12-45
4.     A fase actual da “Economia Política” e dinâmicas histórico-sociais
4.1.          Os circuitos na circulação do capital
4.1.1.   Circuito real; circuito monetário
4.2.         As “leis”
4.2.1.   Composição orgânica do capital
4.2.2.   Queda tendencial da taxa de lucro
4.2.2.1.      “Causas contrariantes”
4.3.         O dinheiro metálico e o dinheiro fictício e creditício
4.3.1.   A exploração e a especulação
4.3.2.  A crise larvar, as “crises” e as "saídas".
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  (22.06)
10-11.15
5.        A luta dos trabalhadores
5.1.         Enquanto seres humanos
5.1.1.  Enquanto escravos
5.1.2.  Enquanto servos da gleba
5.1.3.  Enquanto possuidores de uma mercadoria
5.2.         A oferta/procura da mercadoria força de trabalho
5.2.1.  A luta económica dos trabalhadores
5.2.2.  Individual
5.2.3.  Colectiva
5.2.4.  O sindicalismo
5.2.4.1.      De classe
5.2.4.2.      Empresarial em MPC
(22.06)
11.30-12.45
6.        Os trabalhadores em MPC
6.1.         O mercado da força de trabalho
6.1.1.  O preço da mercadoria-o salário
6.1.2.  As condições de uso da mercadoria/tempo de vida
6.1.3.  Os horários e as deslocações
6.1.4.  O “emprego”, o “desemprego” e tempo livre
6.2.         O contexto (relações de produção e correlação de forças)
6.2.1.  Trabalho produtivo e trabalho colectivo
6.2.2.  A internacionalização da vida social
6.2.3.  Leitura em MH
6.2.3.1.      Desmaterialização de meios
6.2.3.1.1.        Explosões de crise
6.2.3.1.2.        Desigualdades e necessidades 

ISCEF-ISEG - quente e frio

Vivi uma semana em que uma das marcas indeléveis da minha vida se avivou. Juntámo-nos os sobreviventes (e familiares) de uma epopeia (!): a conquista pelo ISCEF do Campeonato Universitário de Futebol de 1957. Voltámos (e almoçámos) ao “velho Quelhas”, onde fomos recebidos com grande simpatia e até amizade pelos actuais residentes e responsáveis (direcção, associação de antigos alunos e associação de estudantes).
No regresso, ainda com os restos de contida emoção, escrevi uma saudação que ema(i)lei para os companheiros e convivas de tão vivida jornada. Para eles seria, e 6ª feira foi enviada e por aí ficaria o escrito, não fora o Expresso de ontem, em que o ISEG aparece a auto-promover-se com muita pompa e alguma circunstância naquela ambígua publicidade em que o semanário se compraz para nosso desprazer. E denúncia.

E a emoção foi substituída pela irritação e o sentimento de oportunidade de transformar a saudação a “Económicas” em rejeição de um novo “ensino da economia” que faz parte subalterna de um mercado avassalador e acanalhador.     
  
ECONÓMICAS!
Há 60 anos…
(começo a escrever e vem-me à memória o velho poema do Acácio Antunes, “antigamente a escola era risonha e franca…).
Há 60 anos, a nossa escola de Quelhas seria risonha e franca. Ou nós assim a víamos (ou assim a vemos, hoje, passados 60 anos sobre os 20 anos que então eram os nossos).
Há 60 anos, o ISCEF era, para cada um de nós à sua maneira, a porta para a maioridade de cada um de nós. Subíamos a Travessa do Pasteleiro, vindos da Rua da Esperança, e passávamos à porta da Emissora Nacional, ou atravessávamos a Madragoa e ao descer a Rua do Quelhas, espreitávamos (nós, os rapazes…) as jovens operárias do Luso-Fármaco. E estávamos em casa. Alguns entravam pela Miguel Lupi, por onde também era a porta do prof. Albuquerque vindo, com as suas sandálias, de Campo de Ourique, com quem me cruzava eu, chegado (a correr, vejam lá…) da Rua do Sol ao Rato.
Há 60 anos, era só isso a nossa escola, sem as instalações na Miguel Lupi e anexos na Buenos Aires, sem o alastramento ao edifício da EN. Era esse espaço risonho e franco porque nós éramos risonhos e francos, com os nossos quase 20 anitos ou poucos meses mais. E, sendo apenas isso, era tanto!
Há 60 anos, não havia portagem à entrada (…) Ali, onde hoje escasseiam (e disputam-se) lugares de parque para tanto automóvel, era a nossa “cantera” (e não posso deixar de lembrar que, entre os eventuais futuros achados de “escavações arqueológicas”, estará um menisco ali fracturado… que me veio a livrar da guerra colonial!).
Há 60 anos, carros? Dois ou três de professores e mais um (um VW) de aluno de apelido Espírito Santo (e Comercial de Lisboa).(…)
Mas se há 60 anos assim era a escola, esta escola não era uma ilha sem pontes. O País não vivia tempos nem risonhos nem francos. E invadiam-nos ventos e marés. A nossa Associação dos Estudantes era uma outra escola. Foi-o para alguns! O dec-lei 40.900, que procurou meter as AEs na Mocidade Portuguesa mereceu luta, que foi vitoriosa; a abertura a uma AIESEC foi conseguida combatendo o ostracismo a que nos queriam condenar a exemplo de ao redor. E tanto mais… Mas não só dos conotados com lutas outras e na clandestinidade (que levaram alguns a provas bem duras vida fora, por opções político-partidárias). Também de outros, que procuravam mudar por dentro o que de mal todos vivíamos, e concitavam jovens nesse esforço, como o prof. Pereira de Moura, então procurador à Câmara Corporativa, com o seu grupo de estudantes, uma outra escola dentro da escola (trabalho que - importa-me dizê-lo - retomou mais tarde, nos anos 80, ao fazer do prestígio da escola e do ensino da economia sua tarefa prevalecente).
Há 60 anos!, há 60 anos esta “casa” era o nosso começo de vida, uns vindos do Instituto Comercial, outras/outros saídos de uma alínea g) dos liceus de todo o País onde ela havia, a vivermos uma reforma de 1949, fruto sobretudo do prof. Pinto Barbosa e seus 3 “mosqueteiros” (Jacinto Nunes, Teixeira Pinto, Francisco Moura), em que ganhavam peso (até nos chumbos selectivos) os “métodos quantitativos”, com a herança de um Bento de Jesus Caraça, a influência tutelar de um Mira Fernandes, as estatísticas e econometria com outro Bento, o Murteira.
Há 60 anos! Assim se criava, connosco!, uma verdadeira escola, uma faculdade de uma  universidade técnica, numa sociedade que mudava, que tinha de mudar!, para cuja mudança íamos contribuir, tínhamos de contribuir!, com ajudas de gente como Adérito Sedas Nunes, como Mário e Aurora Murteira, como Manuela Silva. Com outros de que, injustamente não lembro, aqui, os nomes.

Há 60 anos!, há 60 anos não era esta encruzilhada perante o incerto futuro – era outra! –, não era esta confusão de 5 licenciaturas de escassos 3 anos, em english e in português, de mestrados esquisitos e doutoramentos em barda e desvalorizados (terei sido um dos últimos que sentiu – no mais fundo de si – a relevância interior ou interiorizada de um doutoramento que não peça de um puzzle de um enorme mercado, de uma oferta em concorrência com a Nova e a caterva de universidades privadas fornecedoras de insólitas e escandalosas graduações).
(…)

25 de Maio de 2017 

Para este domingo



... e tanta vez
- cada vez mais vezes...-
lembramos!

sexta-feira, maio 26, 2017

(ainda) para o mês de maio - 8 conversas com barbas - 3


Futebol & Finanças (mais um efe...)

de Expresso-curto:



Nicolau Santos
Diretor-Adjunto
O Schäuble está a gozar connosco

26 de Maio de 2017

Bom dia.
Este é o seu Expresso Curto e vai ser servido à pressão
porque, como tive uma semana terrível, esqueci-me e só agora vi que era o meu dia de servir o leitor.
Que lhe posso dizer, caro leitor? Bom, que o país anda extasiado com os elogios do ministro alemão das Finanças ao seu homólogo português, Mário Centeno, segundo o qual este é “o Ronaldo do Ecofin”. E que até se fala que Centeno pode fazer as malas, deixar o país e ir dirigir o Eurogrupo.
Pois, eu acho que há muita gente a não perceber o humor alemão, sobretudo o de Schäuble. Ele não disse o que disse publicamente. Terá bichanado para alguém a “boutade” e ela terá sido escutada por um site normalmente bem informado. E nunca falou em Eurogrupo mas em Ecofin. As diferenças são muito importantes. O único ministro das Finanças que ele alguma vez defendeu publicamente foi Jeroen Dijsselbloem, por acaso o presidente do Eurogrupo, que é uma espécie de porta-voz de Schäuble. Mas para os mais distraídos recomendo vivamente a crónica que o embaixador Seixas da Costa escreve hoje no seu blogue “Duas ou três coisas” (e que vai exactamente no mesmo sentido do que escrevo amanhã para o Expresso).
Diz Seixas da Costa: “Só alguma saloiíce lusitana é que acha que a “teoria económica” da Geringonça é vista com admiração nos círculos preponderantes no Eurogrupo. É claro que eles podem achar curiosos os resultados obtidos, mas ninguém os convence minimamente de que tudo não decorre de um acaso pontual. Para eles, trata-se apenas de um "desenrascanço" conjuntural, fruto de alguma acalmia dos mercados, do efeito das políticas temporalmente limitadas do BCE, do salto das exportações (que entendem nada ter a ver com a ação do governo), do surto do turismo (por azares alheios e sorte nossa, como o “milagre do sol”), bem como do "pânico" de PCP e BE em poderem ver Passos & Cia de volta, desta forma “engolindo sapos” e permitindo ao PS surpreender Bruxelas com o seu seguidismo dos ditâmes dos tratado. Ah! Eles também constatam que a política de estímulo do consumo acabou por não ser o “driver” anunciado do crescimento. E que tudo o que foi feito está muito longe das imensas reformas que eles consideram indispensáveis, nomeadamente no regime laboral e nas políticas públicas mais onerosas para o OGE (Saúde, Educação, Segurança Social, Fiscalidade), por forma a promover uma redução, significativa e sustentada, da dívida. É assim uma grande e indesculpável ingenuidade estar a dar importância à "boca" do cavalheiro alemão!”
Mais: “Também só a crendice paroquial concede um mínimo de plausibilidade à ideia de Mário Centeno vir a chefiar o Eurogrupo. Conhecidos os desequilíbrios doutrinários no seu seio, passa pela cabeça de alguém (pelos vistos passa!) que venha a ser escolhida uma pessoa que tem titulado uma linha em aberto contraponto com o sentido do “mainstream” que domina aquele fórum?”
Como dizem os miúdos, “mai nada”. E se querem saber mesmo tudo o que Seixas da Costa escreve – e com que concordo a 100%; aliás, ontem o embaixador Rosa Lã tinha-me dito o mesmo - vão ao seu blogue http://duas-ou-tres.blogspot.pt/ e leiam na íntegra o artigo.
De qualquer forma, Centeno está “partout” e claramente em alta.
Depois da saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, o ministro veio ontem dizer em entrevista na RTP que acredita que até ao final do verão e início do próximo ano Portugal vai ter o seu rating melhorado pelas agências financeiras. “Temos estado em contacto com as agências de rating de forma permanente e quase todas avaliam os fundamentos de crescimento económico e a capacidade produtiva da economia portuguesa num patamar claramente acima do que se vulgarizou chamar de lixo”, disse. E se ele o diz…
E na senda da rainha Santa Isabel, que ficou imortalizada pela frase “são rosas, Senhor”, Centeno garantiu também na mesma entrevista que em janeiro do próximo ano nenhum contribuinte português já vai ter de pagar a sobretaxa de IRS. “Em janeiro de 2018 ninguém vai pagar sobretaxa. E em janeiro de 2018 teremos promovido, numa discussão que está em curso e que irá continuar em curso, uma redução da carga fiscal adicional, para um conjunto muito significativo e representativo das famílias portuguesas com rendimentos mais baixos”, sublinhou. Se isto não são milagres atrás de milagres, não sei o que serão. Mas Schäuble é como o Jorge de “O nome da rosa”: detesta o riso e, como bom calvinista, não acredita em milagres. E Centeno tem sempre o ar de quem está um bocadinho divertido com tudo isto.


gosto de ler (e de divulgar)
reflexões lúcidas e bem escritas
mesmo (ou sobretudo...)
quando não estou inteiramente de acordo com elas,
até porque não são só os calvinistas
que não acreditam em milagres!
(e... como diriam os putos:
e se o alimão fosse brincar
com a pilinha dele!)

quinta-feira, maio 25, 2017

(ainda) para o mês de maio - 8 conversas com barbas - 2


Produzir!























A política de recuperação de direitos e rendimentos permitiu a aceleração do crescimento económico, mas não chega: é preciso dinamizar a produção nacional. Foi assim que Francisco Lopes (PCP) abriu a interpelação ao Governo, agendada pelo seu partido na Assembleia da República, sobre produção nacional, esta tarde.
O deputado comunista afirmou que a melhoria das condições de vida e a dinamização do consumo interno são factores estruturantes, enquanto outros, como a flutuação do preço do petróleo, o crescimento das exportações e do turismo, não o são. Por isso, defende o PCP, é preciso substituir importações por produção nacional, aproveitar os recursos naturais, garantir a soberania alimentar e energética.
Francisco Lopes identificou, também, outros factores que condicionam o desenvolvimento do País, como o peso das dívidas pública e privada, as dificuldades no acesso ao crédito ou a «submissão à União Europeia e ao euro». O deputado lembrou que, desde a adesão à moeda única, em 1999, não houve crescimento na indústria, na agricultura e nas pescas – a produção teve um quebra de 50% e foram destruídos mais de 500 mil postos de trabalho.
Antecipando-se a várias intervenções à direita, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, procurou sublinhar a inversão de ciclo em 2016: à desaceleração do crescimento em 2015, seguiu-se uma subida dos valores do crescimento nos últimos três trimestres.
O desenrolar do debate revelou-se a dois tempos: por um lado, uma disputa sobre os méritos da acção dos últimos governos; por outro, a discussão sobre os caminhos para o desenvolvimento do País. Os deputados do PSD e do CDS-PP mostraram sempre dificuldade em sair do primeiro, tal como a maioria dos intervenientes do PS no debate.
Nas várias questões colocadas aos membros do Governo presentes – para além de Caldeira Cabral, estiveram Capoulas Santos (Agricultura e Pescas) e Ana Paula Vitorino (Mar) – vários deputados sublinharam várias necessidades, como o apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME). Os custos e a eficiência energéticos, tal como os obstáculos burocráticos, foram alguns dos problemas identificados por Bruno Dias (PCP) e José Luís Ferreira (PEV).
Em resposta, tal 

quarta-feira, maio 24, 2017

(ainda) para o mês de maio - 8 conversas com barbas - 1


O PDE (procedimento défice excessivo), uma decisão a contragosto e leituras... excessivas

do SAPO:
Portugal viu a Comissão Europeia recomendar a sua saída do procedimento por défice excessivo e o mundo político exaltou. António Costa falou “em sucesso nacional”, Passos Coelho deu os “parabéns” a todos os portugueses, Marcelo saudou o governo atual e o anterior, Carlos Moedas fez o mesmo e Mariana Mortágua declarou o momento como “importante”.
O primeiro-ministro considerou-o mesmo como prova “que Portugal se encontra num ponto de viragem”.“Esta tem que ser a última vez que passamos por um processo tão traumático”, prometeu Costa, acerca do período de resgate financeiro entre 2011 e 2015.
Mas há quem não sorria tanto com a novidade. É o PCP.
João Ferreira, eurodeputado do Partido Comunista e seu candidato à Câmara Municipal de Lisboa, lançou ontem advertências à saída do procedimento de défice excessivo.
“A euforia não se justifica. Não alinhamos no entusiasmo”, garantiu Ferreira, ao i. “As razões estruturais que estão na origem do défice não desapareceram”, analisou também. “Não é com estes níveis de investimento público que vamos conseguir”.
O deputado dos comunistas no Parlamento Europeu avisou que “continuamos nos radares de Bruxelas”, na medida em que meter termo ao procedimento por défice excessivo não mete termo, por exemplo, aos alegados desequilíbrios macroeconómicos e a outros mecanismos da União Europeia que “constringem o equilíbrio das contas públicas” como o Pacote de Estabilidade e Crescimento.
“O procedimento por défice excessivo é um instrumento, do nosso ponto de vista, de condicionamento e controlo dos Estados-membros e não é único”, tanto do ponto de vista económico quanto do social, assegura João Ferreira.
“Ter as contas públicas equilibradas é correto, mas não sob chantagens como as executadas pela União Europeia, nem de uma forma que não seja sustentável”, defende. “O peso dos juros da dívida e a transferência de recursos públicos para a banca são problemáticos. Devemos produzir mais, reforçar o aparelho produtivo, elevar salários e dinamizar o mercado interno. É preciso ir mais longe”, pressiona (…).
Segundo Pierre Moscovici, o comissário com a pasta das Finanças, a decisão de Bruxelas foi “muito clara e unânime”, até porque o governo português terá garantido que a capitalização da Caixa Geral de Depósitos não coloca “em risco a redução duradoura do défice”.
Perante a boa nova, Marcelo exultou. O Presidente da República deixou uma nota na página oficial do Palácio de Belém, afirmando ter felicitado o primeiro-ministro António Costa e o anterior primeiro-ministro Passos Coelho, pelo trabalho dos “respetivos governos”.
Marcelo Rebelo de Sousa informou ainda ter telefonado ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e transmitido uma “alegria pelo reconhecimento dos esforços e sacrifícios dos portugueses”.
O comissário europeu português, Carlos Moedas, realçou, como Marcelo, que este era um feito de todos os que exerceram funções executivas. “Todos os governos desde 2011 trabalharam para que isto acontecesse, todos estão de parabéns”, garantiu Moedas, não deixando de aludir aos tempos do governo Sócrates como o início do problema:
“Nunca nos devemos esquecer que foi preciso quase uma década para corrigir os erros de uma outra década. Em 2009, o país tinha um défice de 10% do PIB, o que significa que gastávamos mais de 20 mil milhões de euros do que aquilo que recebíamos em termos de Estado. Hoje temos uma imagem completamente diferente na Europa”, terminou.
Menos europeísta – ou menos euroconsensual – foi Eduardo Ferro Rodrigues. “Tínhamos uma margem de manobra reduzida e um controlo excessivo por parte das instituições europeias em relação às nossas políticas, portanto é uma boa notícia”, admitiu o presidente da Assembleia da República.
Mário Centeno, ministro das Finanças, seguiu a mesma linha do antigo líder de bancada socialista confirmado ser “ uma boa notícia porque é o reflexo do aumento da confiança que se fazia sentir em Portugal desde o início de 2016”, procurando colher méritos, naturalmente, para o governo a que pertence.
O líder da oposição, Pedro Passos Coelho, por sua vez, reconheceu o feito e pediu “humildade suficiente” a quem lhe sucede em São Bento. “Apesar de não subscrever a forma como o governo lidou com a estratégia orçamental, fico satisfeito por Portugal ter atingido a meta orçamental que o país se tinha comprometido”.
Passos pediu ainda para que “não se voltem a cometer os mesmos erros” de 2009, quando José Sócrates pediu um resgate financeiro.
“São os portugueses quem está de parabéns neste dia e são, sobretudo, os portugueses quem hoje quero felicitar”, saudou o presidente do PSD, recordando o “imenso esforço” da recuperação.
Assunção Cristas, do CDS-PP, não destoou do seu antigo chefe de governo, dizendo que “esta saída do défice excessivo é fruto do esforço de muitos e muitos portugueses que ao longo dos últimos anos tiveram de se empenhar para podermos recuperar a saúde financeira do país”.
Para a líder centrista, “agora temos de nos empenhar em não levar novamente o país ao estado de procedimento de défice excessivo”. João Almeida, porta-voz do PP adiantou mesmo que “hoje é um dia que tem muito mais a ver com os partidos que anteriormente estavam no governo [PSD/CDS] do que com o PCP e o Bloco de Esquerda, como é evidente”.
O Bloco de Esquerda, por outro lado, na voz de Mariana Mórtagua, defendeu que “sair do procedimento por défice excessivo é importante, mas é importante para ganharmos margem para investir na economia e para proteger aqueles que foram mais atingidos e mais castigados pelo governo PSD/CDS”. A esquerda, apoiante do governo minoritário de António Costa, ripostava.

A deputada do BE, à semelhança do Partido Comunista, insistiu na necessidade de um “projeto alternativo à imposição de Bruxelas” para que Portugal possa crescer” e resolver problemas como a “dívida pública”. Para Mortágua, o sucesso não se deve a reformas do governo anterior, mas à tímida contração de “algumas dessas reformas”. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, vaticinou que “o prioritário é resolver os problemas do país e não colocar o défice acima do que são os problemas do país”.