sábado, janeiro 20, 2018

Paradigmatismo ou a social-democracia bem retratada


 - Edição Nº2303  -  18-1-2018

O acordo alemão

Schulz e Merkel anunciaram no passado dia 12 de Janeiro o acordo preliminar entre o Partido Social Democrata (SPD), a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã da Baviera (CSU) para a formação de um Governo de «grande coligação» na Alemanha. O Acordo terá ainda de ser ratificado pelos partidos, nomeadamente pelo SPD, onde, ao momento da redacção deste artigo, se acumulam sinais de divisões internas ditadas não pelo conteúdo do acordo, mas pelas possíveis consequências eleitorais futuras de uma reedição da «grande coligação».
Esta questão conduz-nos à questão da profunda crise de identidade que a maioria dos partidos sociais democratas na Europa atravessa, consequência do facto de as políticas defendidas por esta corrente ideológica serem, nas questões essenciais e estratégicas, similares às defendidas pela direita tradicional. Foi exactamente por isso que o SPD escolheu Schulz como candidato nas eleições alemãs, tentando com essa decisão distanciar-se nas palavras e na aparência da política de Merkel, tendo chegado mesmo a afirmar que o SPD nunca voltaria a coligar-se com a CDU/CSU de Merkel.
Mas a verdade vem sempre ao de cima. Os interesses do grande capital alemão e transnacional impuseram-se. A decisão de reeditar a «grande coligação» alemã é mais uma prova de que o discurso da «mudança» ou da «refundação» na União Europeia, protagonizado pelo Partido Socialista Europeu, não passa de um grande embuste. Basta olhar para o conteúdo do acordo e lá estão todas as linhas: aprofundar o euro e as suas políticas, relançar o eixo franco-alemão, e prosseguir na afirmação da UE como potência imperialista. A social-democracia está enfeudada ao velho consenso de Bruxelas. E mesmo partidos que deveriam estar a aprender com a realidade parecem não o querer fazer. O Secretário-geral do PS português saudou o Acordo e, pasme-se (ou se calhar não) Tsipras pressionou Schulz para se entender com Merkel.

Ângelo Alves

... ou o estigmatismo da social-democracia, 
sempre nas "refundações" e outras maquinações
para que nada de essencial mude.
O que alguns, teimosamente, denunciam
e que (se calhar...) pasma alguns outros!
Razão tinha Lenine para propor
 mudança de nome ao partido ...


Trump e PAZ

Ao rever o dia de ontem - dia de sucessivos pequenos (para mim relevantes...) "desastres" pessoais -, notei não ter aproveitado para "postar" observações em que julgo oportunas sobre a trumparia.
Do (quase) diário:

Este dia de hoje em que tocam trumpetes num uníssono desfavor, a variegados sons e tons, relativamente ao actual eleito morador da Casa Branca em Washington, USA (e abUSAm do uso).

&-----&-----&

Não que ele não mereça e justifique todos os tons e sons, e até os que ficam por fazer e o execrando personagem bastante faz para merecer e justificar.

&-----&-----&

Embora, por vezes, chegue a parecer que ele está lá, naquela mansão presidencial, para isso mesmo: para ser o alvo visível, audível, tele-audiovisível, que distrai do resto, enquanto a caravana lá vai andando cheiinha de cãozoada que não ladra mas morde em silêncio enraivecido, de cauda entre as patas traseiras e língua de fora a babar peçonha.

&-----&-----&

Deixar Trump em paz?

&-----&-----&

 NÃO!

&-----&-----&


 Estarmos – todos – muito atentos e em luta pela PAZ enquanto necessidade vital, de sobrevivência, da humanidade!

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Rumo ao inevitável?

Resumo de América Latina / 17 de janeiro de 2018. .-
A Alemanha acaba de anunciar que adiciona o yuan ou o renminbi às suas reservas cambiais. Para ajudar o petro-yuan, a China acaba de dar outro golpe aos EUA: sua agência de classificação de crédito, Danong (tipo Standard e Poor's, Morgan Stanley, Fitch, Moody's e similares), acabou de baixar a classificação soberana dos EUA. e coloca-a no nível do Peru.

Estava-se preparando o que fora prometido sobre o Irão quando, de novo, algo aconteceu no rumo do inevitável: a Alemanha acabou de anunciar que adiciona o yuan ou o renminbi às suas reservas monetárias . É o primeiro país europeu, e não qualquer um, a seguir as medidas de dezembro do ano passado do Banco Central Europeu que incluiram a moeda chinesa no seu cabaz monetário. Assim, a partir de agora, e sem ter especificado a percentagem exacta, a Alemanha junta-se à caravana que arrastará outros países europeus. Não se exclui que o próximo seja a França.
Até agora, os países da Europa moribunda tinham apenas duas moedas que não eram do euro - o dólar e o iene japonês - no seu cabaz de moedas. Após o passo dado pela Alemanha, o resto virá em cascata, e reflectirá o crescente papel da moeda chinesa no sistema financeiro global e o declínio dos outros, que vai de mãos dadas com o declínio da hegemonia ocidental.
A Alemanha faz esse anúncio dois dias após o lançamento do petro-yuan, como foi informado.

Para apoiar o petro-yuan, a China deu outro golpe nos EUA: a sua agência de "rating", Danong , da qual se tem informação porque não é ocidental (Standard and Poor's, Morgan Stanley, Fitch, Moody's são bem conhecidas...), acabou de baixar a classificação soberana dos EUA . Ou seja, claramente enfraquece a base do pagamento da dívida que os EUA têm com a China, o que irritou Trump, que a descreveu em um de seus tweets como "inaceitável". Ou seja, o habitual. Que os "piratas ocidentais" habituais o façam com outros países é justo, o contrário não.
Mas a China é a China e, em sua baixa de "rating" para os EUA, disse que "a crescente dependência dos EUA na dívida [externa] provoca erosão na sua solvência".
Isto é, simplificando, a China coloca os EUA no mesmo nível, por exemplo, que o Peru ou a Colômbia na classificação de solvência financeira dos países.
A guerra está aberta e vamos ver como nos próximos dias essas agências ocidentais vão reagir.

Voltando à Europa, há mais movimentos que indicam que há pequenas fissuras em relação à vassalagem européia tradicional em relação aos EUA. É o que o tempo é de inverno, está frio e a Europa não tem outros meios de aquecimento que o gás ... russo. A Alemanha continua com a construção do gasoduto "Corriente del Norte 2" e envolveu uma empresa norueguesa na sua construção . O interessante é que esta empresa é mista, pública e privada, de modo que o estado norueguês é outro país que acrescenta à sua construção, ainda que indiretamente.
A Noruega tem gás, mas não nas quantidades da Rússia e, portanto, não pode fornecer o que a Europa precisa. Assim, a participação norueguesa neste gasoduto, que a maioria dos países não quer para "não depender da Rússia", deixa de lado os "russofobos" europeus que são liderados pela Polônia, Suécia e Dinamarca.
Os EUA estão pressionando por novas sanções contra a Rússia para evitar essa construção, inclusive a possibilidade de que também possa sancionar as empresas que dela participam. Isso coloca a UE moribunda numa posição clara: ou com os EUA ou contra eles, mesmo que só um pouco. Esse pouco já foi visto com a posição francesa, oposta às sanções contra o Irão pelos protestos e pela afirmação de que o pacto nuclear funciona, contrariamente ao que Trump diz.
E é irónico, mas mesmo a Ucrânia teve que conter a sua histeria contra a Rússia e teve que levantar a proibição de comprar carvão para os russos para aliviar o frio neste inverno. E por quê? Porque a situação é tão dramática que, em Odessa, por exemplo, a universidade decidiu suspender o curso até 26 de março, isto é, durante todo o inverno, "dada a impossibilidade de aquecer as salas de aula".
Ou seja, apenas aparecem dois vencedores claros neste momento. China e Rússia Se a UE voltar a sua vassalagem tradicional, muitos países verão que apenas a China e a Rússia são os referências da nova ordem geopolítica que está surgindo. Se a UE faz um pequeno gesto de rebeldia, a chamada "unidade ocidental" estará em jogo assim e a China e a Rússia só precisam de continuar cavando para alargar a fissura.

A decadência ocidental está se tornando cada vez mais inevitável e os movimentos que estamos a observar (e a acompanhar com tão manipulada informação) estão se preparando para isso.

Fonte: Blog O território de El Lince / Eyes for peace

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Notícias da Palestina

Informação para digerir

Notícias da Palestina
Agenda
«Esta Bandeira da Esperança: Um Olhar sobre a Questão Palestina»
A Fundação José Saramago dedica parte da sua programação de Janeiro e Fevereiro à Palestina
https://www.josesaramago.org/palestina-destaque-na-programacao-janeiro-da-fjs
O programa inicia-se com a inauguração da exposição «Esta Bandeira da Esperança: Um Olhar sobre a Questão Palestina», produzida pelo MPPM, seguindo-se um debate animado por Maria do Céu Guerra, Carlos Araújo Sequeira e Carlos Almeida.
Quarta, 17 de Janeiro, 18.30 horas | Fundação José Saramago | Rua dos Bacalhoeiros, 10 – Lisboa
«Dois metros desta terra»
O programa prossegue com a exibição do filme «Dois metros desta terra», de Ahmad Natche, 110’. O título do filme é retirado de uma citação do poeta palestino Mahmud Darwich «Dois metros desta terra seriam suficientes para mim». Muito perto do seu túmulo em Ramala, durante uma tarde de Verão, prepara-se um festival de música que será transmitido pela televisão…
Quarta, 24 de Janeiro, 18.30 horas | Fundação José Saramago | Rua dos Bacalhoeiros, 10 – Lisboa
«Colonização israelita: a lenta anexação da Palestina, a morte da ideia de dois Estados»
Esta é o tema da conversa com o jornalista José Goulão que encerra a programação de Janeiro.
Quarta, 31 de Janeiro, 18.30 horas | Fundação José Saramago | Rua dos Bacalhoeiros, 10 – Lisboa
«Corpos na trouxa - Histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio»
Shahd Wadi doutorou-se em Estudos Feministas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 2013. A sua tese é agora publicada em livro que vai ser apresentado por Isabel Allegro de Magalhães.
Para a autora, palestina no exílio, que nunca pôde visitar a sua própria vila, Corpos na Trouxa é a história de vida de um corpo exilado contada pela trouxa palestina. É uma narrativa feminista sobre o sonho do regresso.” A sua tese “aborda as narrativas artísticas no contexto da ocupação israelita da Palestina. Na sua investigação considera as artes um testemunho de vidas. E também da sua.”
Para mais informação sobre a obra:
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=41616
Qunta, 1 de Fevereiro, 19 horas | Livraria Almedina – Atrium Saldanha | Praça Duque de Saldanha, 1, Loja 71, 2º Piso – Lisboa



quarta-feira, janeiro 17, 2018

Tão agraciado!

Estou "esmagado"! Quanto e que ter feito Rui Rio para justificar tanta (en)comenda de tanto lado e de tanta gente, desde os seus pouco mais de 40 aninhos?

Condecorações[1][14][11][editar | editar código-fonte]



Boa lembrança...

... de tam bela cousa
por mui infausta e insistente conotação:

terça-feira, janeiro 16, 2018

Um banho de ética? Uma barrela!

do (quase) diário (quase) dia-a-dia:

16.01.2017

Comecei o dia, não com luz e sol como ontem mas com leitura sobre a necessidade de “um banho de ética” na política, já por aqui muito sentida e reclamada.

&-----&-----&

«Bom dia,
O PS quer alargar a magistrados a obrigatoriedade de apresentar declarações de rendimentos, criminalizar mentiras dos políticos nestas declarações e aumentar as restrições dos deputados-advogados. O pacote da transparência, apresentado no Parlamento, começará a ser discutido esta semana. Será suficiente no entendimento de Rui Rio, o novo líder do PSD que quer "um banho de ética" na política?(…)» (Expresso Curto-Helena Pereira). 

&-----&-----&

Acho bem J!

&-----&-----&

Vindo de quem vem a expressão cheira a porca demagogia, ou então sou eu que já tenho avariado (também) o olfacto.

&-----&-----&

A não ser que, como “novo líder do PSD” (!), promova uma barrela nas hostes que o fizeram “novo líder do PSD” bem pouco eticamente e, coerentemente, se demita para permitir uma eleição (diretas, lhe chamam eles) limpinha, isto é, sem batotas.


&-----&-----&

Lá entre eles…

&-----&-----&


É evidente que isto é conversa “cá entre nós”, para quem a noção de ética é outra e não uma palavra a usar, como tantas outras, esvaziadas de sentido, ocas de… ética.

(...) 

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Demo cra cia escrita segundo a ortografia do «mais português dos partidos»? Rejeição liminar!

Comecei mal a manhã! A confrontar informação sobre o que considerava "arrumado", como novas condições do "estado da Nação" num aspecto de alguma importância mas tornado transcendente pela comunicação social. É o Rio? Seja o Rio... mas não chateiem mais (desculpem a ligeireza da forma... mas chateou mesmo!). E apanho com isto, ao "folhear" o Expresso Curto (servido por Filipe Santos Costa):

«(...) Algumas almas ingénuas viram na vitória de Rui Rio a derrota do aparelho partidário. É como acreditar que o Pai Natal existe e escondeu um pote de ouro no final do arco-íris. Nisto do caciquismo e do aparelho partidário não há inocentes, como o Expresso já tinha deixado claro, ao denunciar, na sua edição de sábado, o mistério dos eleitores-fantasma no concelho de Ovar, cuja câmara é presidida por Salvador Malheiro, o diretor de campanha de Rio. Nos cadernos eleitorais de Ovar havia casos tão estranhos como os 17 militantes, todos com sobrenomes diferentes, que supostamente viviam na mesma casa - a Isabel Paulo foi lá e confirmou que nessa casa só vivem oito pessoas e nenhuma é do PSD. O mesmo se passa em várias outras moradas suspeitas. Até num descampado onde não existe casa nenhuma vivem, de acordo com os cadernos eleitorais, oito militantes de Ovar que puderam votar no sábado...

O Observador foi ver como decorreram as diretas na terra do diretor de campanha de Rio. E mostra o aparelho partidário em todo o seu esplendor: gente metida em carrinhas para votar em bloco no candidato em que são mandados votar. É por estas e por outras que, no último dia do prazo, foram pagas as quotas de 20 mil militantes, para que pudessem votar nestas diretas. Tiveram um sobressalto e foram a correr para o multibanco? Nada disso - alguém pagou as quotas por eles; provavelmente os mesmos caciques que depois os levaram em carrinhas às mesas de voto. O caciquismo quando nasce é para todos.(...)»

Luto pela democracia, com o princípio elementar do respeito pelos outros, e indignei-me. Não pela informação mas pelo  que é informado, isto tem de ser divulgado pois não pode ser aceite com um indiferente e desdenhoso encolher de ombros! Trata-se de crimes, impunes e virais. De que todos seremos cúmplices se os não denunciarmos.

(e, em àparte ou nota de pé-de-página: "almas ingénuas viram na vitória de Rio Rui  a derrota do aparelho partidário" do PSD? Mas... não foi ele secretário-geral desse aparelho?, não foi vice-presidente de sucessivos presidentes do partido? "Almas ingénuas" ou gente intencionalmente mal informada?) 

sábado, janeiro 13, 2018

O funambulismo destes fulanos...

No grande circo da demo cra cia nacional-sociodemocrata de direita é hoje o dia. em que umas dezenas de milhar (a grande maioria arregimentada à última hora) vão ter o privilégio de escolher quem irá ser o 1º ministro de 10 milhões de portugueses, na pior das hipóteses (para eles...) em poder partilhado com quem estiver à sua direita ou (pior ainda... para eles) com outro ramo da nacional-socialdemocracia.
Qual deles nos calhará na rifa?


 Talvez lhes saiam as perspectivas furadas!